A misericórdia está no centro da espiritualidade cristã. Mas nem sempre é clara. Por exemplo, como fica a misericórdia quando somos lesados ou passados para trás? é fácil falar de misericórdia enquanto temos poder e tranquilidade. Mas nas situações complicadas às vezes nem sabemos o que fazer, nem conseguimos nos controlar. Então é preciso ser bem realista para ser misericordioso no sentido cristão.

É natural ter raiva e sentimentos de revide ou mesmo vingança. A misericórdia é um gesto de vontade e não de simples sentimento. Por ela escolhemos controlar os impulsos e pensar o melhor jeito de defender o bem das pessoas, inclusive dos que fazem o mal. A partir desta escolha vai crescendo em nós e vamos alimentando também o sentimento de misericórdia.

A compaixão é outro nome da misericórdia. Seu sentido básico é chegar mais perto da situação difícil do outro, isto é, “com-padecer” ou padecer com o outro. E então ajudar com amor e inteligência. A misericórdia é falsa quando se distancia da realidade das pessoas, porque então distribui alguma “bondade”, mas no fundo culpabiliza e discrimina. Parece misericórdia, mas não é. Procurar compreender a situação das pessoas, causas e solução dos problemas, é um gesto efetivo de misericórdia compassiva. Com o jubileu da Misericórdia, o Papa Francisco provoca na Igreja e na sociedade e renovação deste fundamento indispensável para a nossa vida social e cristã.
Fonte: Revista de Aparecida – janeiro 2016