A bênção de Jesus.
No Evangelho de Lucas, percebemos que todos os fatos acontecidos após a morte de Jesus se realizam no mesmo dia. Em Atos, Jesus ressuscitado permanece 40 dias entre seus discípulos, ensinando-lhes coisas referentes ao Reino de Deus. Teologicamente, o tempo de um dia ou de 40 dias tem o mesmo significado: é o tempo propício concedido aos discípulos para serem testemunhas qualificadas de Jesus Cristo ressuscitado. Esse testemunho inaugura um novo tempo e deverá
ser irradiado para o mundo inteiro. Para essa missão, eles precisam ser preparados. É por isso, então, que Lucas enfatiza a preocupação de Jesus em “abrir a mente” (v. 45) dos discípulos a fim de que entendam as Escrituras.

paz, eles ficaram “tomados de espanto e temor, imaginando que fosse um espírito”, além de “perturbados e cheios de dúvidas em seus corações”, a ponto de Jesus insistir para que o apalpassem e entendessem (cf. 24,36-40).
Diante dessas dificuldades, Jesus lhes anuncia o que o Pai prometeu: a força do alto. Enquanto isso não acontece, pede-lhes que permaneçam em Jerusalém, que, para Lucas, tem uma importância teológica muito especial, pois aí se deu o acontecimento salvador mediante a morte e ressurreição de Jesus. A partir desse espaço, a proclamação do arrependimento e da remissão dos pecados atingirá o mundo inteiro: é a boa notícia da salvação oferecida a toda a humanidade. Lucas, porém, distingue a Jerusalém teológica da cidade em seu sentido político-econômico, com suas instituições opressoras.
Não é por acaso que Jesus os tira dessa cidade e os leva a Betânia. Isso lembra o êxodo do povo de Israel, tirado da escravidão do Egito. É em Betânia que ele os abençoa enquanto se eleva ao céu. As pessoas aí abençoadas tornar-se-ão portadoras da bênção divina a todos os povos.
Celso Loraschi
Fonte: Revista Vida Pastoral